Pé Diabético

"It´s Not What You Put On, but What You Take Off"

Afinal, o que é o Pé Diabético?

O Pé Diabético é uma das complicações mais graves da diabetes e resulta da interação complexa de diferentes fatores induzidos pela hiperglicemia mantida, açúcar elevado no sangue.


Esta hiperglicemia mantida é responsável por:

. Alterar a função dos nervos periféricos -Neuropatia- levando a uma perda de sensibilidade, fazendo com que a pessoa não sinta dor;

. Condicionar a circulação sanguínea -Doença Arterial Periférica- os vasos ficam mais estreitos, fazendo com que os pés recebam menos sangue e a cicatrização seja mais difícil, podendo em casos graves levar à amputação ou à perda parcial do pé;

. Dar origem ao aparecimento de deformidades -Artropatia- alteração da anatomia do pé, que podem provocar úlceras devido à fricção com o calçado.


Segundo dados estatísticos,

A Neuropatia Sensitiva é o principal fator que contribui para o aparecimento de úlcera de Pé Diabético (78%)

                      . 10-15% dos doentes com Diabetes Mellitus Tipo II recém diagnosticados têm Neuropatia

                      . 50% dos doentes com Diabetes Mellitus Tipo II após 10 anos de doença têm Neuropatia

                      . 20% dos doentes com Diabetes Mellitus Tipo I após 20 anos de doença têm Neuropatia

A Diabetes é um fator de risco para o desenvolvimento de Doença Arterial Periférica e a isquemia (falta de circulação sanguínea) está presente em 90% dos doentes com diabetes que recebem uma amputação maior


O desenvolvimento de pé diabético está relacionado com os anos de evolução da diabetes e o mau controlo metabólico ....

  • O risco de Neuropatia aumenta 10-15% por cada aumento de 1% no valor da hemoglobina glicada, HbA1c
  • O risco de Doença Arterial Periférica aumenta 28% por cada aumento de 1% no valor da HbA1c

Principais zonas de aparecimento de úlceras no Pé Diabético 

A úlcera de Pé Diabético (UPD) pode atingir 25% dos doentes diabéticos ao longo da sua vida.


60% dos doentes com UPD desenvolvem infeção durante o tratamento e 30-40% complicam com osteomielite (infeção óssea). Destes 1 em cada 4 sofrem uma amputação maior (amputação acima do tornozelo).


O mais surpreendente é que em 85% dos casos a amputação é precedida de uma úlcera e a taxa de mortalidade associada, após amputação do membro inferior, pode chegar aos 77% após 5 anos.

Sintomas

Quais os sintomas do Pé Diabético? 


Os doentes com diabetes devem estar atentos aos seguintes sinais e sintomas:

  • Sensação de formigueiro ou perda da sensibilidade;
  • Dor, sensação de queimadura ou dormência;
  • Sensibilidade extrema ao toque;
  • Perda de força e/ou equilíbrio ao caminhar;
  • Dor desencadeada pela marcha, habitualmente na região dos músculos gastrocnémios (vulgarmente chamados músculos gémeos da perna) que alivia com o repouso;
  • Perda de pelos, queda espontânea das unhas ou alteração do seu aspeto (cor, espessura);
  • Aparecimento de feridas que não cicatrizam.

Prevenção do Pé diabético

"Healing is the purpose, Prevention is the key, Education is the way"

6 Cuidados para Prevenir o Pé Diabético: 

1- Controlo metabólico adequado

O adequado controlo dos níveis de açúcar no sangue (glicemia), tensão arterial e gorduras no sangue (colesterol e triglicéridos), normopeso e não fumar são essenciais para minimizar o risco de UPD. Recomenda-se: Glicemia pré-prandial 80-130mg/dl;  Glicemia pós-prandial <180mg/dl; Tensão Arterial <140/90 mmHg; Colesterol LDL <70mg/dl e HbA1c <7.

2- Prática de exercício regular

A prática de exercício regular, salvo contraindicação médica, e seguir uma dieta equilibrada permitem melhorar a circulação sanguínea e controlar os níveis de açúcar no sangue, respetivamente. A prática de atividade física no doente com pé diabético deve obedecer a algumas regras importantes, como usar calçado apropriado, dar primazia a atividades de baixo impacto, entre outras.

3- Autovigilância

Uma pessoa com diabetes deve ter atenção permanente com os seus pés e seguir um conjunto de recomendações específicas no seu dia a dia no que diz respeito ao autoexame, higiene e hidratação.


4- Calçado

O calçado é o principal fator de risco externo de ulceração e 20% das úlceras têm origem no uso de calçado inadequado. Use calçado ajustado ao seu risco de ulceração!

5- Gestão do stress e sono de qualidade

A ansiedade, o stress crónico e os distúrbios  do sono podem afetar os níveis de glicose no sangue.  A qualidade do sono afeta como o corpo gere a insulina. É essencial dormir 7 a 8 horas por noite para um melhor controlo da sua doença. Pratique técnicas de relaxamento ou meditação para gerir o stress do dia a dia evitando que a ansiedade atinja níveis nocivos.

6- Vigilância periódica em consulta especializada de Pé Diabético

A complexidade dos cuidados do Pé Diabético exige avaliação em consulta especializada com um profissional diferenciado com o conhecimento baseado na mais atual evidência científica. Assim conseguirá mudar comportamentos que lhe permitirão prevenir/controlar situações de risco!

As úlceras de Pé Diabético são a principal causa de amputação não traumática dos membros inferiores. É por isso que é de vital importância a prevenção e a abordagem precoce para evitar o seu aparecimento.